METODOLOGIAS ATIVAS

Entenda a Importância e o Papel das Metodologias Ativas de Aprendizagem

A forma como interagimos com o mundo vem se alterando de forma rápida e vertiginosa. O século XXI caracteriza-se pelo século da informação e do conhecimento e as mudanças sociais que vivenciamos trazem novas perspectivas de interagir, criar, estabelecer relações e aprender. Mudanças sociais que dissolveram fronteiras entre espaços, virtual e físico, e que nos faz questionar: qual o sentido da escola para esses estudantes com uma superabundância de informações?

O paradigma social vigente nos exige que a reflexão da função social da aprendizagem e do papel do professor seja constante. Imersos num contexto de incertezas, múltiplos letramentos, questionamento da informação, exigência de autonomia para a resolução de problemas complexos no mundo do trabalho, convivência com a diversidade, trabalho colaborativo, participação ativa numa sociedade digital e compartilhamento de ideias, a urgência de repensar a prática pedagógica se torna premissa fundamental na consolidação da formação do estudante.

O que o estudante requer é um reflexo do que a sociedade e o mundo do trabalho também requerem: uma instituição que ofereça o desenvolvimento de habilidades e competências didáticas que atendam seus anseios e suas demandas para uma formação que corresponda às expectativas sociais e aos novos paradigmas que se estabelecem na sociedade do conhecimento.

Nessa reflexão, ensinar passa a ter um novo sentido e não vem sozinho, mas sim no diálogo que há entre ensinar e aprender. Ensinar requer uma sala de aula ativa em que o professor, que também passa a ressignificar sua função, possa criar condições para despertar a curiosidade do estudante e lhe permita pensar, conscientizar, questionar sua realidade e a partir da construção do conhecimento, que sobretudo pressupõe um processo coletivo, possa atuar na efetiva transformação dessa realidade. Nesse sentido, aprender que requer mobilização interna e externa, passa a ter sentido e significado para os atores envolvidos, pois o coloca em movimento contínuo de busca. E o papel docente passa a ser o de mediador, facilitador, orientador, observador e, sobretudo, o de estudioso e pesquisador da sua prática.

Não há mais espaço para um professor que entende que a ação de ensinar se resume a transmitir um saber. Pode-se afirmar que antes fazia sentido porque o acesso à informação era mais restrito e pouco acessível. Hoje isso não faz mais sentido, pois vivemos imersos num universo de informação ao alcance das mãos.

A perspectiva do trabalho com as metodologias ativas, traz possibilidades de discussão que versam sobre esse novo olhar para a formação profissional. O trabalho com as metodologias ativas da Faculdade Insted envolve liberdade de criação por parte docente, investimento em formação e apoio dos gestores. Nessa perspectiva a organização curricular é uma demanda importante, pensada por nós a partir das competências requeridas a cada profissão, sobretudo marcada pela passagem de ensinar conteúdos para desenvolver competências e nisso há uma grande diferença. Torna-se importante pensar sobre como esse futuro profissional resolverá problemas e onde poderá aplicar o conhecimento e isso significa pensar significativamente o ensino e a aprendizagem mediados pela tecnologia.

O paradoxo entre desejar um estudante ativo, pensante e crítico, mas organizar a aprendizagem de forma que não se favoreça essa participação, não traz progressos significativos para a formação profissional. Nesse sentido, pensar a aprendizagem baseada em competências é pensar em construção do conhecimento, qualidade da ação pedagógica e aprendizagem significativa. A organização curricular estruturada a partir de competências rompe com conteúdo e traz a reflexão sobre o perfil docente.

Esse novo perfil docente sabe que o enfrentamento dos problemas complexos da sala de aula depende de um espaço aberto de reflexão-ação-reflexão. A natureza do processo de reflexão de sua prática pedagógica também requer que o docente estabeleça relações entre pensamento e ação no contexto histórico-social vigente, o que se configura numa prática que não se conforma, mas busca reconstruir, participar e tomar decisões no processo de ensino e aprendizagem. Assim, o professor que necessita pensar sobre competências, também precisa desenvolver em si as competências necessárias para isso, por meio de formação continuada. Assim, pensar a partir de competências requer desenvolver competências.

Ao pensar práticas ativas de aprendizagem, pode-se afirmar que a qualidade substituirá a quantidade, pois o objetivo deve ser o de preparar profissionais “para o país que queremos e não para o país que temos”. O mundo exige a formação por competências (científica, técnica, social, humana e emocional) entendida aqui como a combinação dinâmica na relação entre conhecimento e sua aplicação, das atitudes e responsabilidades, o que exige um profissional autossuficiente. E são os próprios empregadores que exigem competências que estão muito além da mera transmissão de conteúdo técnico, pois apenas conteúdo técnico não resolve problemas complexos da profissão.

No âmbito do perfil docente pode-se afirmar que é de sua competência um saber fazer pedagógico num determinado contexto de aprendizagem, ou seja, um docente que domina determinados saberes que são exigidos na sua especialidade de atuação e, concomitante a isso, um docente capaz de aplicá-los em diferentes situações ou problemas de cunho prático. Diferente de competências exigidas nos anos 1960 e 1970, a competência docente se estabelece na combinação entre conhecimento, experiência prática e reflexão por meio de diferentes saberes necessários à prática educativa inovadora e tecnológica: saber técnico, saber fazer, saber ser, saber estar.

Nessa direção pode-se afirmar que o que se requer do nosso professor numa perspectiva ativa de ensinar e aprender é uma ressignificação do seu papel e uma adequação às exigências da sociedade atual. A aderência do professor às metodologias ativas, perpassa pela redefinição do seu espaço de atuação e pelo seu reposicionamento no processo de ensino e aprendizagem. Se não há disposição para ocupar esse novo lugar, abre-se um espaço de resistência.

Na Faculdade Insted subvertemos, portanto, a ordem frente ao desafio de: assumir o protagonismo do estudante como princípio básico, ultrapassar a barreira conteudista, enfrentar resistências e contrariar a lógica tecnicista. As instituições de ensino desempenham importante papel no sentido de investir na formação docente contando com o apoio irrestrito de seus gestores.

(Texto escrito pela Diretora Pedagógica Profª ma Daniela Gil)

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